Curiosidade…

Já ouviram falar de células estaminais?



celulas_estaminais.jpg


As células estaminais são células indiferenciadas que podem dar origem aos diferentes tipos de células de um organismo. Estas células têm ainda capacidade de se auto-renovar; isto significa que uma célula estaminal ao dar origem a uma célula mais especializada (diferenciada) dá também origem a uma cópia idêntica de si mesma, e tem também capacidade de se multiplicar aumentando o número de células estaminais (expansão). Existem diferentes tipos de células estaminais.



celulas.jpg

Durante o desenvolvimento embrionário, estas células especializam-se, originando os vários tipos de células do corpo, desde as células do músculo cardíaco, células nervosas, glóbulos vermelhos ou células da pele, ou mesmo, por exemplo, as células que fazem parte do olho. Mais tarde, no indivíduo adulto, as células estaminais reparam tecidos danificados e substituem as células que vão morrendo. O exemplo mais conhecido é a substituição dos glóbulos vermelhos do nosso sangue. Estas células desempenham um papel crucial para a saúde e bem-estar de cada um de nós. As células estaminais podem ser usadas em transplantes para curar doenças em que os tecidos foram perigosamente danificados.

embriao_3_pais.jpgcordaoumbilical.jpg


Existem diversos tipos de células estaminais, dependendo da fonte de onde são isoladas. Para além das células estaminais embrionárias e fetais, obtidas durante o desenvolvimento embrionário, e das células estaminais isoladas do sangue do cordão umbilical dos recém-nascidos, existem também células estaminais nos indivíduos adultos.
Estas células estaminais adultas podem encontrar-se em diferentes órgãos e tecidos como a medula óssea, a pele, o intestino, entre outros. A existência de células estaminais nestes tecidos deve-se ao facto destes terem um elevado grau de perda celular, requerendo uma substituição constante das suas células.
Até 2007, foram efectuados mais de oito mil transplantes com células estaminais do sangue do cordão umbilical (
SCU), três mil dos quais em indivíduos adultos. A grande maioria destes transplantes foi efectuado num contexto alogénico, ou seja, sendo o dador uma outra pessoa que não o paciente, a partir de amostras de dadores compatíveis.


criopreservação.jpg


No entanto, nos últimos tempos tem crescido consideravelmente o número de transplantes efectuados num contexto autólogo, ou seja, através de um transplante com as células estaminais do sangue do cordão umbilical do próprio indivíduo, que foram criopreservadas na altura do seu nascimento. Os resultados destes transplantes são semelhantes àqueles realizados com células estaminais da medula óssea, sendo que as principais vantagens são a disponibilidade imediata, quando se trata de transplante com amostras de bancos privados, ou a maior facilidade de encontrar um dador compatível, caso se recorra aos bancos públicos.


Stem_Cell_Research_jpg.gif


Embora no presente a aplicação das células estaminais do sangue do cordão umbilical se restrinja fundamentalmente a doenças sanguíneas e cancerígenas, experiências em modelos animais sugerem que, no futuro, a gama de aplicações com estas células poderá alargar-se a outras doenças, como as doenças cardíacas, as doenças neurodegenerativas, a diabetes ou as lesões vasculares.

As aplicações das células estaminais conhecidas até ao momento dizem respeito a doenças do foro hemato-oncológico, tais como algumas leucemias, linfomas e tumores sólidos e outras doenças, hereditárias ou adquiridas do sistema sanguíneo ou imunitário.
Acredita-se, no entanto, que o leque de aplicações das células estaminais do sangue do cordão umbilical será mais alargado, uma vez que têm sido descritas populações de células no sangue do cordão umbilical que se podem diferenciar não só em células da linhagem sanguínea como noutro tipo de células, tais como células endoteliais, células musculares, adipócitos, hepatócitos entre outras.
Recentemente, a utilização de amostras de sangue do cordão umbilical para uso em doenças não hematológicas tem crescido consideravelmente. No último ano, foram várias as amostras libertadas de bancos privados, a título experimental, nomeadamente para utilização autóloga em crianças com diabetes tipo 1 e paralisia cerebral.
Na área da cardiologia, existem estudos de regeneração do músculo cardíaco em patologias como isquémia e enfarte do miocárdio. Há dados muito promissores nesta área, com resultados muito concretos na recuperação funcional do miocárdio em pessoas transplantadas com células estaminais da medula óssea. No entanto, serão necessários ensaios clínicos para poder alargar a aplicação à população em geral.
Num futuro mais longínquo, pode vir a ser possível o tratamento de doenças como diabetes e doenças neurodegenerativas (Alzheimer e Parkinson). Esta é uma área muito promissora, mas a investigação ainda está numa fase precoce, restringindo-se apenas a estudos em modelos animais.
As células estaminais hematopoiéticas do SCU têm mostrado menor exigência em termos de compatibilidade baseada no sistema de histocompatibilidade HLA (Humam Leucocyte Antigen), bem como uma menor incidência de rejeição do transplante, quando usadas no repovoamento de medula óssea de doentes após quimioterapia e/ou radioterapia.
O transplante de células estaminais pode ser realizado usando como doadores potenciais, um irmão com perfil de histocompatibilidade HLA (Humam Leucocyte Antigen) idêntico, um voluntário, não relacionado familiarmente mas HLA idêntico ou sangue do cordão umbilical proveniente de um banco público internacional. Nestes casos, estamos perante uma fonte alogénica. Pode-se ainda recorrer a um gémeo idêntico (transplante singénico) ou recolher células-tronco do próprio (transplante autólogo), no momento do parto, provenientes do sangue do cordão. Quando adulto, essa recolha para transplante autólogo, é realizada no sangue periférico por um sistema de leucoferese ou por aspiração de medula óssea, frequentemente da crista ilíaca.
O primeiro transplante de células estaminais do sangue do cordão umbilical foi realizado em 1988 numa criança com anemia de Fanconi, a qual recebeu uma amostra compatível de sangue do cordão umbilical de um familiar, anteriormente criopreservada. Desde então tem crescido o número de transplantes de células estaminais para tratar diversas patologias.

O primeiro transplante de células estaminais do sangue do cordão umbilical criopreservadas num banco privado português realizou-se em Fevereiro 2007 e permitiu salvar a vida de uma criança de 14 meses. A intervenção foi realizada no Instituto Português de Oncologia do Porto e as células estavam criopreservadas num banco privado em Cantanhede. A criança de 14 meses que tinha uma imunodeficiência combinada severa (SCID). Os pais tinham guardado as células estaminais do sangue do cordão umbilical do irmão da criança doente, efoi testada a compatibilidade e no dia de 19 de Fevereiro de 2007, decorreu o transplante que se revelou ser a solução para combater as deficiências no sistema imunitário do Frederico, que o tornavam mais susceptível a infecções graves, recorrentes e eventualmente fatais. Devido à debilidade do seu sistema imunitário, a criança, natural de Coimbra, manifestava episódios recorrentes de infecção, que foram sendo provisoriamente controlados, com recurso a tratamentos com antibióticos e imunoglobulinas. O diagnóstico final indicava redução significativa e quase ausência de linfócitos CD8 em circulação, que poderiam levar à morte da criança. O transplante foi então realizado com sucesso, num contexto heterólogo - ou seja, a partir das células estaminais de outra pessoa, neste caso do irmão.


postercelulasestaminais-cib2009.jpg



http://concursocelulasestaminaiscibpt.wordpress.com/2009/06/19/concurso/