Quando a cegonha tarda…

Infertilidade Humana

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A infertilidade é a incapacidade temporária ou permanente de gerar um filho ou de levar uma gravidez até ao seu termo natural.

Apenas se considera a infertilidade quando um casal tem relações sexuais regularmente, na ausência de contraceptivo, durante um período de um ano sem que ocorra uma gravidez. Contudo, uma vez que a esterilidade ou infertilidade total são casos muito raros, após este período de tempo a gravidez pode ocorrer naturalmente ou pode-se recorrer a tratamentos de infertilidade e a técnicas específicas.

Subfertilidade é quando um casal necessita de mais tempo do que o habitual para conseguir conceber naturalmente uma gravidez.

Vários estudos efectuados revelaram que 85% dos casais após um ano e meio de tentativa alcançam a gravidez tão desejada. Cerca de 15% dos casais após esse período de tempo necessita de recorrer a tratamentos e a assistência médica.

Em aproximadamente 20-30% das situações, a causa de infertilidade é um problema do homem - há poucos espermatozóides ou eles não têm as características adequadas. Noutros 30-40% dos casos, o problema é da mulher (o mais frequente é haver perturbações da ovulação, mas a obstrução das trompas é também uma situação relativamente comum). Em cerce de 30% dos casais inférteis ambos os cônjuges contribuem, em maior ou menor grau para o problema.

Em 5% a 10% dos casais não se detecta qualquer razão aparente para a infertilidade, que então se designa por infertilidade inexplicada ou de causa desconhecida.


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Os estudos realizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostraram que a infertilidade é um problema que atinge cerca de 15% dos casais europeus em idade reprodutiva. Pensa-se que daqui a uns anos um em cada três casais seja infértil.

O facto de os casais optarem por terem filhos mais tarde também pode aumentar o risco de infertilidade temporária ou subfertilidade. Os horários de trabalho inflexível e as aspirações profissionais, sobretudo da mulher, leva a que estas tenham filhos perto dos 40 anos, e nesta altura os níveis de fertilidade começam a diminuir drasticamente. Daí, algumas associações pensam que as mulheres deviam ter o direito de interromper as suas carreiras para construírem família, quando a sua fertilidade está no auge. Os homens também são afectados com este novo estilo de vida, verificando-se que a quantidade e qualidade de esperma está a diminuir.

Outros problemas como a obesidade e as doenças sexualmente transmissíveis também influenciam a fertilidade do indivíduo. Algumas doenças sexualmente transmissíveis podem provocar o bloqueio das trompas de Falópio, impedindo que a gravidez ocorra naturalmente, e tem-se verificado o seu aumento nos adolescentes. O mesmo ocorre com a obesidade. Na Europa, cerca de 6% das raparigas inferiores a 19 anos são obesas, e normalmente, as crianças e adolescentes obesas tornam-se adultos obesos. Normalmente, as mulheres obesas têm uma ovulação deficiente, tendo por isso maiores dificuldades em engravidar.

No entanto, podem surgir outras causas, tanto no homem como na mulher que vão ser referidos mais à frente.

Não nos podemos esquecer que quando um casal tenta ter filhos e isso se torna uma meta a atingir e se deparam com um resultado negativo, mês após mês, isso pode gerar sentimentos de frustração, angústia e ansiedade no casal. Quando casal se apercebe que está perante um problema de infertilidade as suas reacções emocionais, como a negação, ansiedade, culpa, baixa de auto-estima e desilusão podem interferir nas relações familiares e sociais, no desempenho no trabalho e no bem-estar psíquico. Normalmente, a sexualidade do casal também fica afectada, pois o casal deixa de sentir satisfação e diminui a intimidade, tornando-se num acto apenas com o objectivo de se atingir uma gravidez.

A ansiedade e o stress podem levar também ao aumento de infertilidade, podendo o stress crónico ter consequências nas disfunções hormonais, que podem afectar a ovulação no caso da mulher e a produção normal de esperma no caso do homem.

Possíveis causas de infertilidade

- PROBLEMAS COM O HOMEM

Diminuição do número de espermatozóides

Espermatozóides com mobilidade reduzida

Espermatozóides com configuração anormal

Ausência de espermatozóides

- PROBLEMAS COM A MULHER

Falência da ovulação

Obstrução das trompas

Doença do útero

Muco cervical desfavorável

Endometriose

Aborto de repetição

Infertilidade inexplicada



1 - Problemas com a Mulher
As situações mais comuns são:

. Falência da ovulação
Pelo menos 20-25% dos casos de infertilidade feminina são causados por falência da ovulação, tendo como sintoma menstruações irregulares ou mesmo ausentes.
A ausência de ovulação pode estar associada a peso excessivo ou emagrecimento excessivo.
Há numerosas causas para a falência da ovulação, incluindo secreção reduzida de hormonas pela hipófise (uma glândula na base do cérebro), existência de ovários poliquísticos e falência de ovários. Geralmente o tratamento com medicamentos é muito eficaz, 60-70% de casais a conseguir a desejada gravidez. Há casos especiais em que poderá ser adequada uma actuação cirúrgica sobre os ovários, ou recorrer a FIV.
Se há insuficiência dos ovários, não existe nenhuma possibilidade de tratamento. Nalguns países, os casais com este tipo de problema poderão recorrer a FIV com ovócitos de dadora.

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. Obstrução das trompas
É uma causa responsável por cerca de 30% dos casos de infertilidade feminina. Raramente há sintomas que indiquem a obstrução tubária, embora por vezes exista no passado uma história sugestiva de infecções dos órgãos pélvicos. Por vezes as trompas não estão completamente obstruídas, mas estão fixadas ou aderentes, em posições que impedem a sua função de captação do óvulo libertado pelo ovário. A obstrução das trompas, parcial ou completa é habitualmente causada por infecções que podem ser associadas a bactérias muito diversas.
Em situações (pouco frequentes) existe a possibilidade de tratamento cirúrgico.
Se não resulta gravidez ou se as trompas estão muito lesadas, há indicação para
FIV.

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. Doenças do útero
Em cerca de 5% das mulheres, a infertilidade está associada a doenças do útero. Fibromiomas uterinos, anomalias congénitas na configuração do útero e alterações na sua cavidade interna, podem ser consideradas causa de infertilidade. Pode não haver quaisquer queixas associadas a estas doenças ou, pelo contrário, haver menstruações abundantes e dolorosas. Se há lesões importantes da cavidade uterina, as menstruações podem ser reduzidas ou inexistentes. A terapêutica é cirúrgica, usando a técnica mais adequada para cada situação.
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. Muco cervical desfavorável
Por vezes, o muco produzido pelo útero nos dias que antecedem a ovulação é muito espesso e não do tipo "clara de ovo" como é normal. Os espermatozóides não conseguem então entrar no útero. Em casos raros, o muco contém anticorpos que imobilizam os espermatozóides.
O tratamento é, habitualmente, inseminação intra-uterina ou, em casos mais graves, FIV.

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. Endometriose
Por vezes, o tecido que cobre o interior do útero desenvolve -se também externamente e implanta-se na cavidade abdominal, sobretudo na pelve e nos ovários.
Esta circunstância pode associar-se a menstruações especialmente dolorosas e, se o processo cicatricial é muito extenso, pode ser causa de infertilidade.
O tratamento é cirúrgico, embora ocasionalmente possa haver ajuda importante de certos medicamentos na redução das queixas.
A FIV poderá ser uma alternativa eficaz para conseguir a gravidez.

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. Abortos de repetição
Algumas mulheres não têm propriamente dificuldades em engravidar, mas abortam sistematicamente. Esta situação, infelizmente não muito rara, poderá ser devida a alterações hormonais ou a malformações congénitas do útero. Em grande número dos casos o que há são defeitos nos embriões e isto não tem tratamento, embora haja algumas técnicas promissoras em investigação.



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2 - Problemas com o Homem
Os problemas mais comuns são:

. Diminuição do número de espermatozóides
Em condições normais um homem produz mais de 100 milhões de espermatozóides em cada ejaculação. Embora seja necessário apenas um espermatozóide para fertilizar o óvulo (a célula feminina), a “viagem” até atingir o óvulo é tão extraordinariamente difícil que a esmagadora maioria dos espermatozóides se perde ou morre no trajecto. Por isso, se um homem produz menos de 20 milhões de espermatozóides no ejaculado, a sua fertilidade está significativamente reduzida e a probabilidade de que ocorra uma gravidez é bastante menor. As razões porque tantos homens têm um número diminuído de espermatozóides não são conhecidas, mas poderão estar implicados factores genéticos, hormonais e ambientais.
Chama-se oligospermia (ou oligozoospermia) à diminuição acentuada dos espermatozóides. O tratamento com medicamentos (injecções e/ou comprimidos) só excepcionalmente tem algum efeito, a não ser que exista um problema hormonal subjacente. As infecções podem ser tratadas com antibióticos. Em situações raras poderá haver actuação cirúrgica útil. Outros métodos de tratamento são as diversas formas de inseminação – inseminação intra-uterina, fertilização in vitro (FIV) ou microinjecção intracitoplasmática (ICSI na sigla anglo-saxónica). Na FIV os espermatozóides são colocados em contacto comos óvulos, em meio de cultura laboratorial, dando-se a junção das células por actuação dos seus mecanismos naturais.
Na ICSI, um espermatozóide é injectado directamente no interior do óvulo, sob visão microscópica. Estas técnicas têm resultados gratificantes, mas são complexas e dispendiosas, devendo ser um recurso seleccionado para situações bem definidas.
Vale a pena recordar que, excepto em situações graves, a maioria dos homens com oligospermia pode fecundar, dando origem a uma gravidez mesmo sem
tratamento. A probabilidade de isso acontecer, é muito menor do que se o esperma fosse normal e o tempo necessário para obter a gravidez poderá ser muito longo.

. Espermatozóides com mobilidade reduzida
É uma situação também muito comum. A baixa mobilidade está muitas vezes associada à diminuição da concentração de espermatozóides. No esperma normal, pelo menos 50% dos espermatozóides devem mover-se de forma adequada. Abaixo desse limite diz-se que o homem tem astenospermia ou astenozoospermia. A mobilidade reduzida é por si mais importante do que uma redução moderada da quantidade de espermatozóides. As alternativas terapêuticas são as descritas atrás.

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. Espermatozóides com configuração anormal
Considera-se normal um esperma que tem mais de 15% de espermatozóides morfologicamente normais. Se essa percentagem é menor que 15% diz-se existir teratospermia ou teratozoospermia. Os espermatozóides anormais não dão origem a crianças com malformações! Sucede que esses espermatozóides não são fecundantes, sendo esta uma causa importante de infertilidade.
Em situações de teratospermia grave só a microinjecção intracitoplasmática
(ICSI) oferece possibilidades de êxito significativas.

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. Ausência de espermatozóides
Nalguns homens, o ejaculado não contém espermatozóides. Essa situação designa-se por azoospermia e significa que os testículos não produzem espermatozóides ou então que estão obstruídos os canis que conduzem os espermatozóides para o exterior dos testículos. Em situações raras é possível restaurar a permeabilidade desses canais recorrendo a técnicas cirúrgicas com utilização de microscópios especiais. Se essa alternativa não for adequada é possível tentar recolher os espermatozóides directamente do testículo e utiliza-los para efectuar microinjecção - ICSI.
Se não há produção de espermatozóides pelos testículos (situação que se consegue identificar através da biopsia do testículo) e não se trata de uma das raras situações de causa hormonal, não existem formas de corrigir a situação. Há alguma investigação promissora relativamente à possibilidade de fazer microinjecção utilizando células precursoras dos espermatozóides, mas a eficácia é ainda muito reduzida.
Como opção possível nesses casos há que ter em conta a adopção ou, quando tal é exequível, a inseminação com esperma de dador.

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2 - Infertilidade inexplicada
Esta é uma designação de exclusão, isto é, significa que não foram detectados, nos testes feitos, nenhuns desvios da normalidade. Se a duração da infertilidade é longa, a FIV tem indicação formal e neste caso, além de tentar conseguir uma gravidez, serve também de teste quanto à capacidade das células de ambos os componentes do casal.

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Técnicas de Reprodução Medicamente Assistida
(R.M.A.)
Conjunto de técnicas que visam obter uma gestação, substituindo ou facilitando uma etapa deficiente no processo reprodutivo.

Estas técnicas são normalmente utilizadas em casais inférteis, ainda que também o sejam em casais em que haja portadores do vírus da imunodeficiência humana (VIH positivo), ou do vírus da hepatite B ou C. Outras indicações são casais com elevado risco de transmissão de doença genética, como por exemplo a trissomia 21.
Entre as técnicas contam-se:
- a inseminação artificial intra-uterina - IIU,
- a estimulação ovárica,
- a fertilização in vitro - FIV,
- a microinjecção intracitoplasmática de um espermatozóide – ICSI,
- a transferência intratubária de gâmetas – GIFT,
- a transferência intratubária de zigotos – ZIFT,
- Barrigas de aluguer.



«Conhece Louise Brown? E a sigla FIV? Pois Louise Brown, o primeiro ser humano concebido por FIV, faz hoje 30 anos. Desde então já nasceram mais de três milhões de bebés-proveta - e vêm aí mais revoluções… Lesley Brown tinha 32 anos; ela e o marido, John, andavam há anos a tentar ter filhos. Mas tal não era possível, porque Lesley tinha as trompas de Falópio - os tubinhos por onde os ovócitos viajam dos ovários até ao útero - bloqueadas. Em finais de 1977, dois médicos britânicos, Patrick Steptoe e Robert Edwards, especialistas em fertilidade, decidiram tentar algo de absolutamente pioneiro: uma fertilização in vitro.
No laboratório, colheram um ovócito nos ovários de Lesley e fertilizaram-no, fora do corpo de Lesley, com o esperma de John. Dessa maneira, numa “proveta”, foi concebido um embrião que a seguir implantaram no útero da jovem mulher.
Nove meses mais tarde, no hospital de Oldham, nos arredores de Manchester, nascia por cesariana, pouco antes da meia-noite de 25 de Julho de 1978, uma menina, Louise Joy, com dois quilos e 600 de peso. “Joy” significa “alegria” em inglês.
Ao longo desses nove meses, os médicos tentaram manter secreta a gravidez de Lesley. Mas não conseguiram: Louise tornou-se famosa no útero da mãe, que teve mesmo de se esconder temporariamente para fugir aos jornalistas “que a perseguiam por toda a cidade de Bristol”, onde morava, contou Edwards há dias à BBC. O próprio Steptoe (entretanto falecido), receoso de que o stress estivesse a pôr a gravidez em risco, escondeu-a no seu carro e levou-a para casa da mãe dele.
A prova da sensação que o caso provocou é que, quando Lesley deu finalmente entrada no hospital para ter a filha, os repórteres fizeram tudo para tentar ver a futura mãe - desde lançar um alerta de bomba para fazer evacuar as instalações até mascarar-se de empregados da limpeza. Nem os gémeos de Angelina Jolie e Brad Pitt suscitaram tal febre jornalística… Os primeiros instantes de vida de Louise foram filmados e o vídeo tornou-se famoso.
Olhando hoje para as fotografias de Louise e lendo os pormenores do seu percurso de vida, nada indica que a sua estreia na vida tenha sido algo de tão espectacular, de tão inédito - “milagroso” dizem alguns, “revolucionário”, contrapõem outros. Louise é uma pessoa de aparência banal com uma vida pacata e banal. Já trabalhou como funcionária dos correios de Bristol e como enfermeira numa escola. Casou-se e, há 18 meses, tornou-se por sua vez mãe de um menino, Cameron (concebido naturalmente).
A fertilização in vitro também ganhou em banalidade e passou a ser procedimento vulgar de procriação medicamente assistida. Poucos anos depois do nascimento de Louise, os seus pais tiveram, também por FIV, uma outra menina, Natalie. E hoje já são mais de três milhões os bebés-proveta concebidos por FIV a nível mundial. A FIV é tão comum na medicina actual que, segundo um artigo do New York Times, “quase todos os norte-americanos conhecem hoje uma família que poderia não ter existido sem a FIV ou uma das suas variantes.”
Na altura, porém, a mera existência de Louise, concebida em condições consideradas dignas da ficção científica, foi notícia no mundo inteiro e causou furor - tanto a favor como contra. Houve sectores religiosos que consideraram que os médicos estavam a brincar aos deuses e, também no New York Times, um editorialista comentou que “nunca tinha havido tanta ambivalência face a um avanço científico desde a invenção das armas nucleares”.
Uma coisa é certa: a entrada em cena da FIV significou uma revolução na medicina da reprodução e é considerada “como um dos mais notáveis avanços médicos do século XX”.»
Ler artigo completo no Público

http://jornal.publico.clix.pt/magoo/noticias.asp?a=2008&m=07&d=25&uid=&id=270024&sid=54367

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O 1.º bebé proveta fruto da fecundação in vitro em Portugal nasceu em 1986.

A - Inseminação Artificial


Consiste na deposição de esperma, previamente processado, directamente na cavidade uterina, com recurso a um cateter, de modo a que estes possam deslocar-se até às trompas de Falópio para fecundarem o oócito II.
Aplica-se nas seguintes situações: problemas ao nível do esperma, principalmente quanto ao nº de espermatozóides; incompatibilidades entre o esperma e o muco cervical; incapacidade de o homem ejacular na vagina por motivos de impotência, psicológicos ou outros.
Permite aumentar a hipótese de gravidez porque os espermatozóides são colocados directamente num ambiente menos adverso, não passando pelo cérvix, o que aumenta a eficiência de transporte do esperma até ao oócito II.
Se o problema de infertilidade se centrar na produção de oócitos por parte da mulher, esta técnica pode ser complementada com a indução da ovulação, aumentando o risco de gravidezes múltiplas.
Se a gravidez não ocorrer numa primeira inseminação artificial, este procedimento terá que ser repetido nos três ciclos seguintes.

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B - Fecundação In Vitro

http://www.abdelmassih.com.br/tratamento/index.html#

Consiste na união, em laboratório, de um espermatozóide com um oócito, em condições de assepsia e a uma temperatura média de 37ºC.
Aplica-se nos seguintes casos: as trompas de Falópio encontram-se bloqueadas ou danificadas, e não podem ser recuperadas com o auxílio da cirurgia, e o transporte do esperma e do oócito, bem como a fecundação e o transporte do zigoto não podem ocorrer; o homem apresenta um factor de infertilidade associado a um nº muito reduzido de espermatozóides, de má qualidade e com reduzida mobilidade;

Com o objectivo de se obterem mais oócitos do que o normal, a paciente é geralmente submetida a uma estimulação da ovulação.
Quando maduros, estes oócitos são cuidadosamente colhidos, recorrendo-se a uma aspiração do conteúdo dos folículos (que contêm os oócitos), sendo imediatamente colocados numa placa para observação ao microscópio da sua maturidade e qualidade.
Os oócitos são colocados em meio de cultura próprio.
Cada oócito é combinado com cerca de 75000 a 100 000 espermatozóides, dentro de uma caixa de petri.
Uma vez fecundados, o zigoto permanece entre dois e seis dias no laboratório, e só ao fim deste período de tempo é introduzido no útero, sob a forma de embrião. A transferência dos embriões é feita com o auxílio de um fino cateter que é introduzido até à cavidade uterina, guiado por ultra-som, não havendo necessidade de a paciente ser anestesiada.
A mulher é sujeita a um tratamento hormonal para auxiliar a nidação dos embriões, sendo realizada uma análise ao sangue para averiguar a ocorrência de uma gravidez. Caso o teste seja positivo, os tratamentos prolongam-se até à oitava semana. Em caso de teste negativo, o casal pode ser sujeito a mais um ciclo de procedimentos médicos, podendo recorrer-se a possíveis embriões congelados.
Nem todos os oócitos II conseguidos são fecundados e, destes, nem todos formam embriões com capacidade para se fixarem no útero, daí a necessidade de um número de oócitos II superior ao normal, sendo muitos desperdiçados.

A gestação Múltipla constitui uma das desvantagens da fecundação in vitro. Actualmente, já pode ser evitada com a transferência tardia dos embriões fecundados em laboratório, permitindo:
- transferir em estádio de blastocisto, com maior potencial de desenvolvimento e, portanto, com maior probabilidade de nidação;
- proceder a uma selecção mais rigorosa dos blastocistos que reúnam as melhores condições, com implantação de três ou mais embriões;
- possibilitar maior sincronização com o ciclo menstrual natural, transferindo-se os embriões numa altura em que o endométrio se encontra preparado para a nidação;
evitar que haja mais de um embrião implantado.
Os embriões que reúnam todas as condições necessárias mas que sejam excedentes podem ser congelados, para que possam ser utilizados em tentativas posteriores de engravidar – crioconservação.


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C - Injecção Intracitoplasmática de Espermatozóides (ICSI)

**http://www.youtube.com/watch?v=2ZjG-e58s3Q&NR=1**

Consiste na introdução artificial de um espermatozóide dentro de um óvulo, provocando a fecundação. Posteriormente, o embrião é transferido para o útero ou para as trompas de Falópio.
Durante a ICSI, o flagelo do espermatozóide é removido no laboratório para que fique imóvel e não danifique o ovo após a fecundação.
É indicada para homens cujo sémen possua uma baixa concentração de espermatozóides ou que tenham algum canal obstruído, seja por uma patologia congénita ou adquirida por uma vasectomia e que não tenha tido sucesso na reversão. Mesmo que não haja espermatozóides visíveis num espermograma, pode recorrer-se a uma aspiração dos epidídimos ou biopsia dos testículos para conseguir espermatozóides (mesmo que não sejam móveis) e a partir daí fazer uma microinjecção.

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D - Transferência intratubária de gâmetas – GIFT

(Gamete Intrafallopian Transfer)

A Transferência Intratubária de Gâmetas (GIFT) consiste em captar os óvulos da mulher através de laparoscopia, exame endoscópico da cavidade abdominal através de uma pequena incisão na parede do abdómen, ao mesmo tempo que se capta o esperma do marido. Na mesma operação, colocam-se ambos os gâmetas numa cânula especial, devidamente preparados, introduzindo-os em cada uma das trompas de Falópio, lugar onde se produz naturalmente a fertilização.
Se tudo decorrer normalmente, os espermatozóides penetram num ou mais óvulos, formando-se o embrião. Este descerá dentro das trompas até o útero, de forma tal que a concepção se produzirá integralmente no corpo da mulher.
O grande problema é a baixa percentagem de êxito desta técnica, figurando entre 35 a 40 %. Outro problema, comum às técnicas que não se utilizam apenas de métodos físicos, é a grande possibilidade de concepção de gémeos. Isso explica-se pelo facto de, ao se utilizar esse método de reprodução artificial, recolherem-se vários óvulos, para se garantir alguma margem de sucesso.
O objectivo é assegurar a presença dos gâmetas no ambiente intratubário.
São indicações de GIFT: endometriose, factor masculino, infertilidade sem causa aparente, e factores uterino-anatómicos que possam tornar extremamente difícil a transferência transcervical dos embriões obtidos por fertilização in vitro.



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E- Transferência intratubária de zigotos – ZIFT,
Por meio da Transferência Intratubária de Zigotos (ZIFT), ambos os tipos de gâmetas são postos em contacto, in vitro, em condições apropriadas para a sua fusão. O zigoto ou zigotos resultantes são transferidos para o interior das trompas uterinas.
A grande diferença da ZIFT em relação ao GIFT é que, na primeira, a fecundação realiza-se fora do corpo da mulher, enquanto na segunda, o encontro do óvulo com o espermatozóide, formando o embrião, ocorre nas trompas.
A ZIFT possui as mesmas restrições apresentadas pela GIFT, ou seja, baixa percentagem de êxito e sobra de vários zigotos não colocados no corpo da mulher.

Tal como a GIFT, hoje está praticamente abandonada servindo para casos excepcionais, como na incapacidade de se colocar os embriões através do colo uterino.

F - Transferência De Blastocistos
Esta técnica foi desenvolvida nos anos 90 e é uma variação da FIV que se inicia quando os óvulos são retirados do ovário e levados ao laboratório para unirem-se aos espermatozóides.
Os embriões resultantes são maturados durante cinco dias (ao invés de dois ou três dias) em meios de cultura quimicamente diferentes.
O objectivo é o de se aproximar ao meio ambiente em que o embrião vive quando “anda” pela trompa da mãe com destino ao útero – nessa viagem ele vive momentos diferentes do ponto de vista químico (doses maiores ou menores de glicose, sais minerais entre outras substancias químicas) e com isso ele capacita-se no seu crescimento e maturação. Com este método consegue-se identificar os embriões mais fortes e assim aumentar a possibilidade de gravidez – reduzindo o risco de aborto espontâneo.

G- Maternidade de Substituição (“Barriga de Aluguer”)
Este método tem aplicação na esterilidade feminina por impossibilidade de gestação, devido, por exemplo, à ausência de útero. Consiste na geração de um ser por outra mulher que não seja a sua mãe biológica. Para tal, pratica-se uma fecundação in vitro com gâmetas do casal com posterior colocação no útero de acolhimento ou ainda por inseminação artificial com espermatozóides do elemento masculino do casal, sendo o oócito fornecido pela “mãe de substituição”.

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H- Outros Procedimentos Experimentais Na Reprodução Assistida

Novas técnicas de micromanipulação estão a ser desenvolvidas para 1/3 de homens inférteis que possuem oligoespermia severa, uma alta taxa de anormalidades nos espermatozóides, obstrução nos tubos seminíferos, ou ausência de ducto deferente.
Uma técnica investigativa envolve a cultura de espermatozóides pobres com o óvulo em uma pequena microcâmara, assim aumentando as chances deste fertilizar o óvulo.

Uma técnica chamada Microinjecção de Espermatozóides subzonal injecta um a quinze espermatozóides abaixo da zona pelúcida. A dissecção da zona pelúcida é feita por punção e incubação do óvulo em gotas de 10,000 a 50,000 espermatozóides com alta mobilidade. Há o risco de dano ao óvulo na punção. Há um risco aumentado para defeitos genéticos no bebé.

Uma técnica experimental chamada FASIAR (follicle aspiration, sperm injection, and assisted follicular rupture) poderá provar ser significativamente o mais barato tratamento e também reduzir o risco de gravidez múltipla. Após a indução da ovulação, o médico punciona o folículo e capta o óvulo e o fluido em uma seringa que também contém espermatozóides. A mistura é então reinjetada próximo da ruptura folicular.
O procedimento chamado ROSNI (round spermatic nuclear injection) e ELSI (elongated spermatid) usado para espermatozóides imaturos aspirados do testículo e injectados no óvulo por ICSI. O espermatozóide pode ser natural ou congelado.

Estes procedimentos são controversos, e proibidos em certos países.